3 de junho de 2011

Bonifrate - Um Futuro Inteiro

Um Futuro Inteiro
(Cloud Chapel Records, 2011)

1. Esse trem não improvisa

2. A farsa do Futuro enquanto Agora

3. Vertigem de uma festa interestelar

4. Concórdia

5. O vôo de Margarida

6. Cantiga da fumaça

7. Antena a mirar o coração de Júpiter

8. Cidade nas nuvens

9. Naufrágios

10. Nadando

11. Eugênia

Visite a página do Bonifrate para fazer o download!


4 de fevereiro de 2011

Top 100 TramaVirtual!

"Esse trem não improvisa" em primeiro lugar no Top 100 do Trama Virtual!
Mutchas gracias a todos que ouviram e baixaram!

1 de fevereiro de 2011

Nova faixa de Bonifrate disponível para download!

"Esse trem não improvisa", faixa do novo disco de Bonifrate, "Um Futuro Inteiro", está disponível para download do Trama Virtual!



Faixa Escrita e gravada por Bonifrate. Microfonias de Filipe Giraknob.





Eis a lista de canções do disco, a ser lançado muito em breve:

1. Esse trem não improvisa

2. A farsa do Futuro enquanto Agora

3. Vertigem de uma festa interestelar

4. Concórdia

5. O vôo de Margarida

6. Cantiga da fumaça

7. Antena a mirar o coração de Júpiter

8. Cidade nas nuvens

9. Naufrágios

10. Nadando

11. Eugênia

18 de dezembro de 2010

The Psylocibian Devils : Christmas Pines

The Psylocibian Devils : Christmas Pines

(online christmas single, Cloud Chapel, 2010)

Os Psylocibian Devils retornam dos infernos psilocibianos com uma nova canção de Natal lançada pela Cloud Chapel, do meu amigo Stan Molina.

"Christmas Pines" escrita, ilustrada e gravada pelos Psilocybian Devils. Mixada e masterizada por Diogo Valentino.


The Psylocibian Devils - Christmas Pines by cloudchapel


You’re making me feel like my vision is wrong
But your eyes are not doing much better
You're stitching me up like a smile in a song
A frog in a pond
But your ghosts are all under the weather

There's no need to rush for the city
The good times are on
The daydreams cascade from the cirrus clouds
Over the haze


Your freckles have flown

And the children now gaze at them in the sky

Got them all hipnotized


You're trying to point out what's rough about me
But I see no wings under your feathers
I blame you but please don't get furious at me
I'm trembling, you see
Just like when we were together

There's no way to say it with sweetness
The spike plants have grown
The graveyard's been pestered by moss and tide
Time to row home

But all the love’s gone
And the bugs are all fuzzed by the city lights
Hundreds of wandering eyes


Listen again

The music lives on
But your voice has been flushed down the organ pipes
Beautiful suicides



30 de junho de 2010

Bonifrate + Giraknob (com Alexander Zhemchuzhnikov) na sede da Cloud Chapel, em Sampa, maio de 2010.

Alguns vídeos do concerto.

cloudchapel.com







Artes & Ofícios

Artes & Ofícios do Trama Virtual, com Supercordas, Filme e Digital Ameríndio.


O bardo bolou umas artes & ofícios pra Trama! Dentre elas, um Vidrinho de Fluidos Oníricos (foto), uma HQ psicanalítica e o infame Brian Jones Collective!


Flagrem tudo aqui!


22 de junho de 2010

Resenha do concerto na Chapel

Eis uma resenha que o grande Amauri Gonzo escreveu sobre o concerto de Bonifrate + Giraknob na sede da Cloud Chapel em Sampa.

A propósito, visitem aqui o site da Cloud Chapel. Selo paulistano do meu amigo Stan Molina, que lançou recentemente os discos dos Acessórios Essenciais e do Península Fernandes.

20 de junho de 2010

Julia Koch & Os Demônios Do Brejo: Ao vivo no Plano B

No último mês de maio, nossa amiga, artista visual e múltipla e uma dessas fontes de luz primárias que chegam a te cegar a vista, Julia Koch voltaria para a Alemanha depois de uns tempos irradiando seu brilho pelas nossas terras. A galera resolveu fazer uma despedida, marcou um sábado no Plano B e algumas horas antes o Giraknob me falou pra levar a pedaleira que ia rolar um improviso.
Alexander muniu-se de seu sax tenor, eu de um ring modulator, um delay analógico e uma guitarra-sucata de 3 cordas, Giraknob de suas costumeiras modulações e filtros, e acompanhamos Fräulein Julia enquanto ela lia, muito performática e interpretativa, alguns fragmentos do diário que escreveu enquanto estava no Brasil.
Foi uma performance bem intensa e sentimental. A sonoridade não deixa de ser um pouco soturna (não escute de noite sozinho numa casa grande e isolada).
Gostei muito. Deve ter sido minha primeira incursão pública pelo mundo do improviso livre, e talvez eu tenha exagerado um pouco na intensidade. Mas valeu cada giração de knobs, principalmente pelo prazer de participar do happening de despedida de uma figura tão querida, e de improvisar com Giraknob e Alexander, agora meus implacáveis Demônios Do Brejo.
Ainda bem que Julia volta em setembro. Acabamos de viver quatro vidas.

Download!
(mp3 único de 320kbps. 22 min 34 s)

19 de junho de 2010

Bonifrate & Os Demônios Do Brejo: Ao vivo no Plano B

01. Seqüelagem
02. Estudo rural em ré maior
03. No try
04. Céu & chão
05. Kissing by the lake
06. Cantiga da fumaça
07. Os anões da Villa do Magma (parte 1)
08. Rumo à Lua num tapete voador
09. Naufrágios
10. Home of the brave (Spiritualized cover)
11. Eugênia

Todas as canções escritas por Bonifrate, exceto #10 por J. Spaceman.

Gravação: Fernando Torres
Som: Diogo Valentino
Fotos: Louise Simões


Download!


Eis o registro completo da primeira apresentação do meu novo trio no Rio de Janeiro, que rolou no dia 18 de junho de 2010. Já havíamos tocado os três juntos na sede da Cloud Chapel em Sampa, mas sem a nova nomenclatura. Foi um belo concerto, com uma pequena grande multitude de amigos na platéia da loja mais experimental da América Latina. O Valentino deu um bom jeito no som, que o Fernando captou muito bem, como sempre. A maioria do repertório vem do álbum Os Anões Da Villa Do Magma (Open Field, 2007), com uma do Sapos Alquímicos Na Era Espacial (Shroom Records, 2002),
um já permanente cover (sensual?) de Spiritualized, e mais três canções novas que vão estar no meu próximo disco, "Cantiga da fumaça", "Naufrágios" e "Eugênia" (segundo alguns, a primeira inclusão maneira da palavra "maneiro" na música popular brasileira). Antes de tocar eu disse "na certa vou errar aquele tecladinho de 'Rumo à Lua", e Giraknob respondeu: "tomara, é pra soar como música de bêbado". Alright, sir!

Vídeos gravados pela Louise Simões (os níveis de volume dos áudios sofrem alguma influência da posição da câmera e às vezes as guitarras encobrem tudo, o que não acontece no áudio disponibilizado pra download).

Seqüelagem


Estudo rural em Ré Maior / No Try


Cantiga da fumaça


Os anões da Villa do Magma (parte 1)


Rumo à Lua num tapete voador

13 de junho de 2010

Bonifrate & Os Demônios Do Brejo no Plano B!

Sexta-feira, dia 18/06, 21h.

Estréia carioca do novo grupo de Bonifrate (Supercordas), com Filipe Giraknob e Alexander Zhemchuzhnikov. O trio de space-folk mostrará canções dos discos Sapos Alquímicos na Era Espacial (2002), Os Anões Da Villa Do Magma (2007) e mais um punhado de novas coisas.
Entrada franca! Cerveja R$ 2,50.

Plano B (Rua Francisco Muratori, 2a - Lapa - Rio de Janeiro).

http://www.facebook.com/event.php?eid=131214756898180&ref=ts

5 de agosto de 2009

Coleção Mofo # 2

Bonifrate: Paleontologia (fragmentos e ossadas 2001-2003)

1. Quando a chuva cai - uma canção de Valentino reinterpretada.

2. Miolos apaixonados - pequena peça para serrote e violão escrita para o álbum inacabado "A terrível experiência do Dr. Ungüento".

3. Substâncias cósmicas - single de 2002.

4. Kissing by the lake - primeira versão, em quatro canais, regravada para "Os anões da Villa do Magma" em 2005.

5. Unicórnio 2D - original do single "Substâncias cósmicas" e trilha do filme "Apenas o fim", de Matheus Souza.

6. O álcool é piegas - original do single de "Substâncias cósmicas", regravada para "Os anões da Villa do Magma" em 2005.

7. Problemas com o radar - original do "Parangarikutinimirruaroumaxiromphômpila EP" de 2003.

8. Problemas com o radar - versão alternativa, do single "Câncer" de 2003.

Todas as canções escritas* e gravadas entre 2001 e 2003 por Bonifrate no Psylocibian Devils' Mobile Studio (quatro canais). @ Shroom Records todos os direitos reservados.

* Exceto a faixa 1, escrita por Valentino.

Tempo estimado de viagem - 38: 17.


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27 de maio de 2009

Cabaret Callado - Mecanismo Objeto

Mecanismo Objeto

1. At Least I Was Sane
2. Average Compliments
3. Canção para Pauline
4. Thoughts Flavored Dreams
5. Fhase
6. Você e só
7. Future And Tears
8. Momento Exato

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De uma célebre e recôndita ilha do Pacífico chamada Austrália, na qual tem vivido e constituído família nos últimos anos, Cabaret Callado nos transmite em ondas aéreas seu gênio criativo, com uma sensibilidade psicodélica raramente vislumbrada nestes fartos trópicos verdejantes. Rodrigo Bola é amigo nosso de tempos, e as canções deste Mecanismo Objeto irradiam um experimentalismo cancionista que definiria de forma (quase) perfeita (demais) o que há algum tempo se quis definir como Trovadelismo¹. Suas duas outras obras serão também orgulhosamente disponibilizadas pela Shroom Records.

http://www.myspace.com/cabaretcallado

¹ Molina, Stan (org.). Primeiro Festival da Canção Trovadélica. São Paulo: 2008.

20 de maio de 2009

Digital Ameríndio - Muito tarde (EP)

Muito tarde (EP, 2007)

1. Antes de chegar eu vi um vale
2. Um salto para a loucura
3. Arlequim Sobrevoando a Montanha Subterrânea
3. Vim, mas não voltei

Findando a série até a próxima venturosa façanha de Digital Ameríndio, eis o meu favorito confesso.
Leiam entrevista com o Bardo há três postagens atrás.

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digitalamerindio@gmail.com
www.myspace.com/digitalamerindio

5 de maio de 2009

Digital Ameríndio - A incomensurável piração psicodélica, degenerativa, transgênica e generalizada, do bizarro mundo mágico de orleans e braguilhas

Existissem num desenlace factual concreto as causas contingentes a partir das quais uma centelha cósmica alastrar-se-ia por todos os recônditos portos da humanidade, e decerto os habitantes da suposta e fascinante conjuntura atribuiriam à incomensurável piração psicodélica, degenerativa, transgênica e generalizada do bizarro mundo mágico de orleans e braguilhas um lugar capital dentre as Obras Fundadoras de sua exógena cosmogonia.

"A vida é cheia destas artes de se ser, não sendo."
(Bonifrate, 2008-Nicolau de Cusa, 1440).

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26 de abril de 2009

Coleção Mofo # 1

Antiquário Supercordiano vol. 1
(2002-2003)

1. Um filtro
2. Último cigarro em Saturno (mono)
3. Observatório (psy mix)

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Inaugurando a Coleção Mofo, apresentamos este pequeno fonograma digital com algumas raridades do imaginário supercordiano. Se não me engano, estas três canções foram gravadas em 2002 e 2003, logo depois de terminadas as gravações de A pior das alergias e destinadas a um novo álbum chamado Supercordas.

Acabou virando mesmo foi uma banda.

Aviso logo que são canções estranhas que, por um motivo ou outro, acabaram sendo completamente abandonadas, a começar por "Um filtro". Seria a abertura, em determinado momento, mas quem conhece "Da órbita de um sugador" entende bem por que ela perdeu o lugar, mesmo que hipotéticamente, já que tal disco nunca foi lançado ou mesmo terminado.


Todas soam um tanto estranhas, dissonantes, às vezes desafinadas, tudo isso porque os sons ficaram durante um bom tempo só em fitas gravadas na máquina de quatro canais e não mixadas para o computador, e a geringonça foi definhando lentamente, mas não sem antes proporcionar uma mixagem cheia de defeitos destas três músicas. Os problemas de rotação da fita acabaram atrapalhando a afinação e o que estava no canal 1 soava muito fraco (como uma guitarra quase inaudível e um xilofone bêbado em "Último cigarro em Saturno").

Claramente e em vernáculo: que se foda, é essa a alma da Coleção Mofo! Libertamos dos claustros da censura quântica qualquer insanidade musical desferida em tempos perdidos como o 1985 alternativo onde Biff comandava Hill Valley, ou a viagem quadridimensional lisérgica de David no final da Odisséia Espacial, ou mesmo como a tentativa de invenção de sonoridades folclóricas de países e civilizações que jamais existiram (sobre este aspecto mais selvagem, aguarde um dos próximos volumes da Coleção Mofo, Canções de Kugel Mugel vol. 1)

As canções parecem refratar uma climatização mais lúgubre deste pré-cambriano dos Supercordas, a ser futuramente afogado por um espírito mais celebrativo e livre das escaramuças do peripatetismo adolescente. Apenas "Observatório" teve uma certa continuidade. Eu e Valentino chegamos a trabalhar nela novamente na época da gravação do Satélites no bar e.p., mas não entrou por falta de uma boa gravação.



8 de abril de 2009

Digital Ameríndio, mas qual?

Digital Ameríndio, mas qual?

1. Introdução
2. Uirapuru
3. Fora de si
4. Não tem trumpete
5. Lombroso
6. Tempo liso
7. 87 dias numa quarta
8. American Big Foot Mouse Mouse Joe
9. The last time

digitalamerindio@gmail.com
www.myspace.com/digitalamerindio

É com grande palpitância que voltamos ao ar (ou terra) depois de meses meio desativados, e liberando neste volume o último disco do Digital Ameríndio (ou bardo) e ainda por cima com uma brilhante entrevista concedida pelo bardo-ele-mesmo.

Download
http://www.mediafire.com/file/nuimehwho4y/digital amerndio - , mas qual (2008).rar

Entrevista

Bonifrate
- Bardo, deste quando tens o pé em toda essa psicadelia? Poderias proferir algumas vãs palavras sobre a origem do Universo, recriada talvez por experimentos magnéticos rústicos ou por socializações primárias inusitadas, porém concretas, do mundo udigrudi?
Digital Amedíndio - Sim, eu estou pensando (BARRETT, 1970). Acho que uma das últimas experiências de róque que tive foi por volta do século XVI, na Basílica de São Marcos, em Veneza (pois, assim como o pequeno Nietzsche, eu também queria ser tipo um punk-pastor protestante nessa época), com aquele lance do Giovanni Gabrieli, de colocar em cada salão um grupo diferente e todos tocando ao mesmo tempo. Mas, primeiro, o Walter Franco me falou que isso tinha sido feito muito antes pelo Stockhausen, imitando o Ornette Coleman, que por sua vez copiava o Pavement que, como bom rapte-me cameloa que era, andou plagiando a Orquestra Tonguemische ("que influenciou toda essa galera", segundo o Caetano, ou não). Eu planejei pra que tudo isso começasse daqui a duas semanas, mas acho que ainda faltam uns treze ou catorze (ou quatorze?) dias, maus ou menos, pra Mouse on Mars. Ou antes, aquele bando desalmado do Hammas, Farkas e OLP tem que ser zoado ("de uma maneira escrota", terceiro o Pancita).

B.
- Quando te conheci, tocavas uma guitarra de brinquedo plugada num pedal Heavy Metal da Boss (se não me falha a memória) num concerto do Lava-Jato. Daí até o Primeiro Festival da Canção Trovadélica de 2008, em São Paulo, é possível tentar estabelecer alguma sorte de linearidade? A noção de um crescendo que leva ao clímax deve ser completamente descartada em função de uma distribuição aleatória ou mesmo (livre)arbitrária de pontos coloridos no espaço-tempo?
D.A. - Bardo, essa eu preciso te contar, saca só: joguei no DeLorean a casca de banana que eu pisei e numa dobra espaço-temporal sem qualquer existência conferi que se tratava, de fato, de um pedal DOD Super American Metal. Isso é importante, porque esse lance de Digital Ameríndio, como sempre, veio só depois. Ou antes, o "ameríndio" veio depois do "digital" como um destino, um amor fati. Ou antes, um eterno retorno às pressas do recalcado em si próprio sem dó, ou linguagem que o designe.

B.
- Em 1999, terminavas de gravar o álbum A incomensurável piração psicodélica, degenerativa, transgênica e generalizada, do bizarro mundo mágico de Orleans e Braguilhas, até onde eu sei, inteiramente gravado num porta-estúdio de quatro canais. O aparelho acabou dando defeito, como de costume? Sentes saudades como eu sinto? Sei que há alguma diferença entre o velho procedimento magnético de gravação e o processo digital do disco, mas qual?
D.A. - Qual o quê?! O disco? Mas a "incomensurável doideira de pedra" (BONIFRATE, 2009) levou à morte dois quatro canais: um Yamaha (com esse fiquei só uma semana e depois troquei) e dois Fostex: o modernoso XR3 e, o melhor de todos, o antológico Fostex X15, que ficou conhecido nas internas, nas externas e na superfície que conecta o dentro e o fora como "Zé Pretinho". Passei tantos anos afoito por um portaestúdio e sem um p%&$uto no bolso que, quando consegui as pilas, meus dedos pareciam tensos e pesados, destruindo, uma a uma, as teclas daquelas maravilhosas maquininhas. Por conta de toda essa excessiva falta de ductilidade fui levado a mixar as experimentações às pressas (essa Odisséia, desde a aquisição do primeiro portastúdio até a mixagem, pra salvar os restos do terceiro, durou uma semana de 1999 e 50 gramas de adubo).
Mas qual não foi minha surpresa ao me deparar com um computador, alguns anos depois... Passei pra CDr as paradas de 1999 e batizei ("A I. P. P., D., T. e G., do B. M. M. de O. e B."), além de produzir um EP muito tarde (que gravei em 2007, mas só publiquei, na Tramavirtual, em 2008). E esse lance, aconteceu entre uma coisa e outra, mas qual? O lance do nome Digital Ameríndio, que pra mim é tipo os nomes dos caras do Gong. Como o processo é infinito, há lance novo em curso, mas qual? foi o último álbum mas não será o último álbum, se Zeus quiser... Ou antes esse lance de "bardo" que, ao contrário dos trovadores (que tocavam para a aristocracia), atualizavam um protesto implícito contra os signos mundanos, ao tocarem para (e com) o povo.

B.
"A grande inimiga da Renascença, do ponto de vista filosófico e científico, foi a síntese aristotélica, e pode dizer-se que sua grande obra foi a destruição dessa síntese.” (KOYRÉ, Alexandre, 1982).
Considerando a máxima de Alexandre Koyré, um tanto demodé, mas positivamente blasé, me explique como tu achas que um pós-modernismo esdrúxulo, sem a mínima unidade de pensamento, pleno de artistas que expõem paredes descascadas e vasos sanitários ornados como altares para Barbara Straissand (sick) pode mesmo começar a sonhar com a destruição de uma síntese cartesiano-galilaica-prometéicadesacorrentada-prozaquiana, mais beligerante que o divórcio escroto da Susana Vieira (que não pôde votar em Barrack Obama),
mais inusitada que uma analogia entre a Faixa de Gaza e o Haight Ashbury, e mais zoada que o Metrô Santana (PANCITA, Rica, 1947)?
D.A. - A esse respeito, obviamente, há somente quatro (ou, no máximo, dois) fatores inegáveis, que se distinguem mas não se separam:
  1. Não há destino; somos nós que fazemos (CONNOR, Sarah. Em: O exterminador do futuro 2)
  2. Nós, não podemos mudar o destino (CONNOR, John. Em: O exterminador do futuro 3)
  3. Nós não são laços e os laços não são dobras espaço-temporais; de onde deriva um segundo paradoxo: noz não é cérebro, mas é também (AMERINDIO, 1966); o que "também" nos leva de volta à questão do "antes de nada eu gostaria de falar..." (MAÇÃ, 2020).
Para tanto é necessário que o "anterior" e o "posterior" se expressem apenas como vetores de articulação diferencial entre séries heterogêneas de significantes singulares (basta lembrar dos exemplos: "respiro enquanto durmo" e "durmo enquanto respiro", que só designam um mesmo estado de coisas quando manifestos pelo Caxinguelê de Carroll [2002], embora o sentido singular do acontecimento se ramifique em séries divergentes). Neste caso, como diria Borges (1972), "asseguram os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa exceção" (p. 92). De onde nada resta, senão concluirmos que a palavra ritmo deriva do grego rythmos - que significa fluidez - e que a palavra arithmos (de onde deriva a aritmética) indica, na física de Aristóteles, a estrutura numérica do movimento. Ou antes, parafraseando Girafalles (s.n.t.), neologistica e redundantemente, a aritmétrica...
"Chega!" (VELOSO, C., 1968).

26 de setembro de 2008

Pedro Bonifrate - O corpo hermético

Hermes chegou junto com o lilás do céu à Rua dos Casais

Eis um conto, que começou a existir enquanto conto, e logo se transmutou numa canção, e posteriormente se transmutou novamente em conto. A única coisa importante a se dizer sobre ele é que faz sentido. Começa assim:

"Hermes chegou junto com o lilás do céu à Rua dos Casais. Os sapos coaxavam em silêncio e os pequenos gaviões reais procuravam insistentemente um ângulo perfeito para que se pudessem refletir sobre a água do charco com alguma graça. Reparou um casal de marrecos e o véu melancólico das teias de aranha molhadas pelo orvalho o fizeram lembrar que chegou a contar vinte e sete num outro desses verões. Como se a cidade houvesse sido riscada do itinerário sazonal dos pobres patos recheados com farofa que os turistas comiam na beira da estrada. Tentou lembrar-se de algum lugar onde poderia ter perdido sua chave: qualquer canto desta maldita aldeia!"

Ler tudo? Baixe o doc aqui!

14 de agosto de 2008

Entrevista no blog Eu Ovo

Bonifrate fala do novo single "Mágica" dos Supercordas, física moderna, blogs de mp3, etc.
Gracias ao Bruno pela entrevista!

Leia aqui!

Supercordas: Seres Verdes ao Redor

Seres Verdes ao Redor (música para samambaias, animais rastejantes e anfíbios marcianos)
(Trombador Discos, 2006)

Download

Comentários das faixas escritos em 2006:

1. E o sol brilhou sobre o verde
Surgiu de um violão do Valentino, ganhou uma camada de vozes e se tornou a introdução inconteste de uma velha idéia do que viria a ser Seres verdes ao redor.
O título ensolarado acabou pedindo os pássaros ao contrário, theremins e a viola de 10 cordas. Breve como o espaço de tempo entre a madrugada e a manhã.

2. A charneca
Uma peça infantil para a qual eu escrevi os primeiros rabiscos na língua-pátria. Sem a descoberta d'Os Mutantes talvez nunca os tivesse escrito desta forma. Foi resgatada para Seres verdes ao redor de um velho disco dos Psilocybian Devils, ganhou um arranjo mais pomposo e esquisito. Fala de como a charneca (ou brejo, como preferirem) cheira a rãs mortas no verão muito quente e muito úmido. "No varal meu eu astral nunca vai secar" traz a idéia de um astral úmido que agora me agrada bastante.

3. Ruradélica
Escrita especificamente para o disco como provável single. Os primeiros versos me vieram à cabeça como um hai-kai ou uma velha canção do Lô Borges, e daí foi construída como uma espécie de iê-iê-iê rural naive e arcadista em seu conteúdo. Celebração platônica da roça como ambiente de vida; naive e unilateral porque não leva em conta réplicas mentais simples como o tédio rural profundo e as vantagens tecnocráticas da cidade grande.

4. 3.000 folhas
Uma das três canções mais recentes do disco. Refere-se a um ambiente específico na subida da estrada de Cunha. O refrão faz referência à velha lenda do País da Cocanha, seus rios de leite e chuvas de mel, e à aparente apatia poética diante da exuberância da natureza.
“Eu só flutuo ao som de uma fuga rasteira” – eu perguntei ao Giraknob esses dias se ele sabia o que era uma fuga e ele disse que era uma melodia que a todo tempo sugeria uma modulação, mas nunca a concretizava. Engraçado como alguns termos são empregados aleatoriamente e depois vêm a ter um sentido tão preciso. “Lilases pétalas de céu pra mim é coisa de drogado” – disse o Giraknob.
Gostei de como ela soa agora como um pop gorkyano esquisito com suas mridangas indianas e cravos barrocos. Parece ser a parte do disco que sugere que “o buraco é mais embaixo”...

5. Mofo
...parte esta que exige um pequeno respiro incidental. Gravamos um canal principal com viola de 10 cordas e violão e daí sobrepusemos improvisações de outros instrumentos. A música é uma versão simplificada e quase instrumental de uma canção do Valentino - da qual gosto muito -chamada “Love is the power”. O sombiente sugere uma ‘jam’ de beira de estrada e faz emergir a parte mais úmida (ainda) do disco.

6. Sobre o frio
Uma suíte supercordiana que fala de como a tristeza e a apatia podem ser confortáveis, principalmente no inverno. Termina com uma frase rock-arena à velha maneira dos Wings. Uma das faixas mais importantes do álbum. Eu diria que é o centro, e dela o disco se estica até seus extremos.

7. Ricochete
Uma peça dedilhada para violão que acabou ganhando esses versos meio que em forma de hai-kai e tudo o mais que a transformou num “chachado psicodélico” e num ponto alto do disco para mim. Adicionamos vozes praianas da minha mãe à introdução, assim como serrotes martelados, guitarras ao contrário, diversos canais de percussão e de ruídos ‘aquáticos’ do Gira. Tem uma viola de 10 cordas que só toca o último acorde da música, mas que sempre martelou a minha cabeça como uma voz que diz “faças assim e terás um momento White Álbum em teu disco”.

8. Musgo
O momento mais experimental do álbum, e um dos meus favoritos. Fizemos uma colagem manipulando diversas velhas gravações magnéticas, sopros atonais do Pedro e do Artur (os únicos participantes externos humanos aqui, além da minha mãe), novas guitarras do Gira e mais uma ‘jam’ de beira de estrada com viola e violão. O final com sapos do Parque Verde e um gambá andando no forro serve de introdução para Frog-rock.

9. Frog-Rock
Outra das canções mais antigas resgatadas pra Seres verdes ao redor. Um número de comédia cantado em ‘caipirês’, mas um dos mais potencialmente radiofônicos. Fazia sucesso entre os meus primos pequeninos. A recepção infantil das canções sempre me agradou mais até que a adulta. A nova linha sobre o “sapo mandarim alquimista espacial” faz referência ao disco de onde foi resgatada, Sapos alquímicos na era espacial.

10. Sobre o calor
Provavelmente a faixa que mais destoa do clima predominante do álbum. Um épico de dedilhados celtas, guitarras marítimas e versos surreais e urbanos. Fala justamente sobre o calor, de maneira um tanto abstrata, associando a alta temperatura tanto a uma certa letargia quanto à necessidade de se criar alguma coisa que mantenha a alma sólida dentro do forno, nem que seja pra trazer a imagem de geleiras e montanhas de neve.

11. Mangue
A minha favorita de todas no momento, por ser talvez a mais esquisita. O tema que abre esta terceira faixa experimental de Seres verdes ao redor foi também tirado de uma velha canção dos Psilocybian Devils, mas desta vez diretamente da fita em que foi gravada a original. Numa segunda parte mais caótica aparecem novamente os efeitos de fita de “Musgo”, junto com os sopros atonais e um pastiche magnético de “Ruradélica”. Termina de forma a abrir espaço para o gran-finale.

12. Fotossíntese
Nossa primeira gravação a estrelar contribuições vocais de todos os Supercordas. Assim como “E o sol brilhou sobre o verde” é a introdução inconteste do disco, esta é sua eterna conclusão. Celebração final dos seres verdes clorofilados de fato e dos que existem dentro de cada um de nós, bípedes estranhos. Como num velho disco dos anos 60, esta apoteose final faz referência aos temas anteriores do disco e a todo esse caminho autobiográfico através da nossa própria Ruraldelia.
Eu não queria que os seres verdes deste disco acabassem soando como figurantes de uma floresta conífera fria de Massachussets (sic?) ou coisa parecida (o que seria tão fácil e irrelevante), e os versos de “Fotossíntese” escancaram o clima quente, úmido e lamacento da costa caiçara que de fato o álbum procura trazer à mente de quem o escuta.

Estes foram meus rabiscos sobre Seres verdes ao redor: música para samambaias, animais rastejantes e anfíbios marcianos, nosso primeiro disco de verdade como a banda que agora somos. Espero que todos gostem, e que fiquem com vontade de cheirar grama molhada depois de ouvi-lo. Obviamente por ser um primeiro disco em múltiplos aspectos, é apenas um começo. E, se há uma coisa que não faz muito sentido esperar dos Supercordas, é mais do mesmo.
Rayos de Ruraldelia!

O Bonifrate